quarta-feira, 12 de março de 2014

Do nada

Do ponto de vista antropológico toda a sociedade gira em torno de si mesma e do que a rodeia, aquilo com que você convive torna  o que você é.
Pegando de um ponto totalmente aleatório você consegue ver uma paisagem que é bem comum para a grande maioria das pessoas. A cidade ao redor, os prédios, o antigo e o novo, o que já é historia  e o que pode se tornar. Uma paisagem que pode nos dizer, quem foram as pessoas que viveram ali, e quem ainda vive, quem passa por ali, ou quem pode vir a passar. De todas as maneiras podemos dizer que o simples fato de podermos apreciar, o pequeno e o grande, o simples e o extraordinário, e principalmente os detalhes que passam despercebidos a grande parte da população, mostra as diferença entre o que pode ser observado e o que pode passar batido depois de algum tempo.
Posso ver uma serra, com grande variedade de flora e fauna e posso ver, os prédios, as pontes, os carros, as pessoas. Posso ver as árvores, os pássaros, o sol e o que ainda vai vir. 
Mesmos estando distante, consigo sentir o aroma de terra,  o vento indo de encontro a minha pele, o sol batendo nas copas das árvores, o pio dos passarinhos, a paz que por vezes esquecemos que existe. Posso me enxergar no pico dessa serra, observando tudo e sentindo tudo isso, e vendo, como as pessoas as vezes se limitam, acreditando que não podem alcançar o obvio.
Posso me ver em uma das sacadas desses prédios luxuosos, que estão tão distantes e me imaginar, pisando em um tapete macio, com pessoas me servindo, pessoas nas quais muitas vezes, passam como objetos animados.
Posso me imaginar nesse ponte observando o trafico, e como carros atras de carros, passam sem perceber a mulher atulhada de coisas que precisa de ajuda, ou a criança faminta que não tem condições de comprar um pão, ou ainda posso ver varias pessoas sem senso do comum, do ordinário.
Posso me ver exatamente onde estou, fazendo movimentos atras de movimentos, em um sequencia que pode se tornar orgânica ou não.
Ou posso me imaginar livre, livre das correntes dos preconceitos de tudo o que me amarra e me faz me sentir pequena e vazia, posso me imaginar, voando como um pássaro, voando só por voar, acreditar que tudo pode ser melhor a partir do nada.

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